A Maçonaria Universal é uma instituição iniciática, filosófica, progressista e ativamente solidária, que trabalha incessantemente pelo aperfeiçoamento moral e intelectual dos seus membros e de toda a sociedade. Sendo uma Ordem centenária, cuja vertente especulativa se organizou formalmente em 1717, ela inspira-se numa tradição ritualística de raízes milenares, que remontam, simbolicamente, à sabedoria construtora do Templo do Rei Salomão.
Ao longo dos séculos, em Portugal e no mundo inteiro, os maçons têm sido arquitetos invisíveis das mais nobres conquistas da civilização, colocando-se na vanguarda da defesa dos Direitos Humanos, da Paz, da Democracia e da Liberdade.
Mas antes de mais, importa esclarecer uma ideia essencial: a Maçonaria nunca reivindicou para si a autoria exclusiva das grandes transformações da Humanidade. A História é sempre construída por povos, nações, instituições, homens e mulheres de diferentes convicções.
Contudo, também é um facto historicamente reconhecido que, ao longo dos tempos, inúmeros maçons estiveram entre os protagonistas de alguns dos mais importantes avanços políticos, sociais, científicos e humanitários da civilização ocidental. Em muitos casos, não foi a instituição maçónica enquanto tal que fez a História, mas sim homens das suas colunas, inspirados pelos valores universais de Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Tolerância, Justiça, Dignidade e Aperfeiçoamento do Ser Humano. Os valores que se vivem e praticam diariamente na Maçonaria.
Foi com este espírito que muitos participaram na construção do mundo moderno.
Os maçons têm sido arquitetos invisíveis das mais nobres conquistas da civilização.
A independência dos Estados Unidos da América constitui um dos exemplos mais emblemáticos. George Washington, Benjamin Franklin e diversos outros “Pais Fundadores” pertenciam à Maçonaria, contribuindo decisivamente para a criação de um Estado assente na separação de poderes, na liberdade religiosa, na representação democrática e na afirmação dos direitos individuais. Esses princípios influenciaram profundamente o constitucionalismo contemporâneo.
Também a Revolução Francesa e, sobretudo, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 foram marcadas pela presença de numerosos maçons e de pensadores iluministas que frequentavam as lojas maçónicas. O ideal de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, hoje lema oficial da República Francesa, encontrou nesse contexto uma das suas maiores expressões.
Ao longo dos séculos XVIII e XIX, inúmeros juristas, parlamentares, filósofos e governantes ligados à Maçonaria contribuíram para a afirmação do Estado de Direito, da separação dos poderes, da independência dos tribunais, da liberdade de imprensa, da liberdade de consciência, da igualdade perante a lei e do progressivo alargamento da participação cívica e política dos cidadãos, lançando as bases das democracias constitucionais modernas.
Na América Latina, líderes como Simón Bolívar, José de San Martín, Francisco de Miranda e Bernardo O’Higgins, conduziram os movimentos de independência inspirados pelos ideais da emancipação dos povos, da soberania nacional e da liberdade. Muitos deles eram maçons e encontraram nas suas lojas um espaço privilegiado para o debate dessas grandes ideias.
O livre-pensamento promovido nas Lojas Maçónicas foi também o motor que impulsionou lutas históricas pela emancipação social, incluindo o direito ao voto das mulheres, o fim da pena de morte e a instituição do ensino público e laico.
A luta contra a escravatura conheceu também importantes contributos de homens ligados à Maçonaria. Embora a abolição tenha resultado da ação de muitos movimentos religiosos, políticos e humanitários, diversos maçons participaram ativamente nesse combate, defendendo a igualdade essencial entre todos os seres humanos.
A defesa da liberdade religiosa constitui igualmente uma das marcas históricas da Maçonaria. Numa época em que as guerras confessionais dividiam a Europa, as lojas maçónicas acolhiam homens de diferentes credos, unidos não pela religião ou pela política, mas pelo respeito mútuo e pela dignidade da pessoa humana.
Ao longo do tempo, milhares de maçons participaram ainda na criação e no apoio a hospitais, escolas, orfanatos, instituições de beneficência, bolsas de estudo e inúmeras obras sociais. Muitos dirigentes da Cruz Vermelha Internacional, por exemplo, pertenceram à Maçonaria e partilharam plenamente os ideais humanitários que inspiraram aquela organização.
A lista de Maçons que se destacaram pelo seu contributo para o bem da Humanidade e da nossa civilização é extensíssima. Na Europa encontramos, entre outros, Winston Churchill, o Marquês de Lafayette ou Giuseppe Garibaldi, herói da unificação italiana, uma das figuras maçónicas mais importantes do século XIX.
Garibaldi foi Grão-Mestre da Maçonaria, tornou-se símbolo da luta pela unidade nacional, pela liberdade e pela construção de um Estado moderno e laico.
Também nas artes e na cultura surgem nomes incontornáveis ligados à Maçonaria, como Wolfgang Amadeus Mozart, um dos maiores compositores de todos os tempos e autor de A Flauta Mágica, obra profundamente marcada pelo simbolismo maçónico. Foram também maçons, outros famosos compositores como Joseph Haydn, Franz Liszt e Jean Sibelius, assim como grandes nomes do jazz, entre os quais Duke Ellington, Count Basie, Nat King Cole ou Louis Armstrong.
Do mundo do cinema e do espetáculo, foram ainda iniciados na Maçonaria outros artistas mundialmente famosos como John Wayne, Clark Gable, Roy Rogers, Oliver Hardy, de O Bucha e o Estica, ou o célebre ilusionista Harry Houdini.
Nas áreas da literatura e do pensamento, encontramos personalidades como Goethe, Voltaire, Rudyard Kipling, Conan Doyle, Mark Twain, Alexandre Dumas ou Oscar Wilde, entre muitos outros. Dos filósofos e pensadores ligados ao universo maçónico podemos destacar Moses Mendelssohn, Gotthold Lessing, Johann Fichte e o Barão de Montesquieu, defensor e impulsionador do conceito da separação de poderes.
No mundo da ciência sobressai Benjamin Franklin, inventor e diplomata, já referenciado como fundador dos Estados Unidos da América, assim como Alexander Fleming, o médico e cientista que descobriu a penicilina e também Guglielmo Marconi, um dos grandes responsáveis pelo progresso das comunicações sem fios, entre muitos outros.
Entre os exploradores e pioneiros, contam-se ainda Roald Amundsen, primeiro homem a alcançar o Polo Sul, e o astronauta Buzz Aldrin, um dos primeiros seres humanos a pisar a Lua.
Em Portugal, a influência de maçons das mais diversas áreas e profissões, na construção da sociedade contemporânea é igualmente significativa.
A Revolução Liberal de 1820 contou com a participação de numerosos militares, magistrados e políticos maçons, sendo determinante para o fim do absolutismo e para a aprovação da primeira Constituição portuguesa de 1822.
Foi também maçom Dom Pedro IV de Portugal, o I do Brasil e o Marquês de Sá da Bandeira, que assumiu um papel decisivo na abolição progressiva da escravatura no Império Português, afirmando um princípio de humanidade que viria a ser reconhecido internacionalmente.
Portugal tornou-se, em 1867, um dos primeiros países do mundo a abolir a pena de morte para crimes civis, numa reforma profundamente inspirada pelos valores humanistas que vários parlamentares maçons defenderam na época.
Ao longo do século XIX, muitos maçons promoveram igualmente a expansão da escola pública, da instrução popular, da alfabetização e do acesso das mulheres à educação, entendendo que uma sociedade livre apenas pode existir quando os seus cidadãos são verdadeiramente esclarecidos. Na implantação da República, em 1910, diversos dirigentes republicanos eram maçons e encontravam-se profundamente comprometidos com os ideais de liberdade, cidadania, laicidade do Estado e modernização das instituições nacionais.
Na vida política portuguesa da época destacaram-se assim, entre outros, Manuel de Arriaga, primeiro Presidente da República, Bernardino Machado, António José de Almeida, Afonso Costa, Passos Manuel, João Chagas, Magalhães Lima e Miguel Bombarda, médico, professor e defensor da modernização da sociedade portuguesa. O famoso Dr. Egas Moniz, médico, professor e prémio Nobel da medicina, foi também iniciado na Maçonaria.
Entre os militares, ocupa um lugar especial Gomes Freire de Andrade, símbolo da luta pela liberdade e contra o absolutismo. Foram também maçons o General Correia Barreto, fundador dos Pupilos do Exército e inventor da “pólvora Barreto”, o Almirante Gago Coutinho, famoso pela primeira travessia aérea do Atlântico Sul e ainda o Marechal Teixeira Rebelo, fundador do Colégio Militar, que aparece também sempre associado à Maçonaria.
Em Portugal, passaram ainda pela Maçonaria grandes escritores como Camilo Castelo Branco, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Guerra Junqueiro, António Sérgio e Teófilo Braga.
Nas artes encontramos Rafael Bordalo Pinheiro, assim como Alfredo Keil, compositor do nosso Hino Nacional A Portuguesa, a par do médico, historiador, escritor e professor Jaime Cortesão. Também Fernando Pessoa deve ser lembrado como um profundo conhecedor, amigo e defensor da Maçonaria. Em 1935, manifestou-se publicamente contra a lei do Estado Novo que pretendia proibir as chamadas “associações secretas”, defendendo a liberdade de pensamento e de associação.
O famoso General Norton de Matos, opositor de Salazar e corajoso candidato à Presidência da República no tempo da ditadura, foi também na sua época Grão-Mestre da Maçonaria. Assim como foi também maçom Humberto Delgado, denominado “o general sem medo”, igualmente candidato à Presidência da República e mais tarde assassinado pela polícia política de Salazar.
Em tempos mais recentes, recordamos como maçons Adelino da Palma Carlos, advogado e opositor ao regime de Salazar, que teve o papel histórico de ser o Primeiro-Ministro do I Governo Provisório após o 25 de Abril de 1974, o jornalista e diretor do jornal A República, Raul Rego e também o advogado e grande humanista António Arnaut, que edificou uma das maiores conquistas sociais do Portugal contemporâneo: o Serviço Nacional de Saúde.
Ainda na esfera da cultura e da elevação da alma portuguesa, reconhecemos o imenso talento e generosidade de vultos inesquecíveis como o mestre e artista plástico Lima de Freitas, ou os atores Raul Solnado e Curado Ribeiro, por exemplo, que espelham perfeitamente a grande matriz cívica, cultural e fraternal das Ordens Maçónicas.
Estas personalidades não se tornaram importantes por pertencerem à Maçonaria. Contudo, muitas delas encontraram nas lojas maçónicas um espaço de estudo, diálogo e construção moral, inspirado pelos valores da liberdade, da tolerância, do conhecimento, da justiça e da fraternidade universal.
A presença de tantos nomes relevantes demonstra a influência que os princípios maçónicos exerceram na cultura, na ciência, nas artes, na política e no progresso da Humanidade.
Durante a ditadura do Estado Novo, a Maçonaria foi proibida em Portugal. As lojas foram encerradas, os seus bens confiscados e numerosos maçons foram presos, perseguidos, exilados ou sujeitos à vigilância da polícia política, precisamente porque continuavam a defender valores incompatíveis com qualquer regime autoritário: a liberdade de pensamento, a democracia, a dignidade humana e os direitos fundamentais.
Ainda hoje, muitos políticos com visões extremistas e ideológicas totalitárias, uns por mera vocação populista, outros por má-fé, outros ainda por ignorância pura, atacam ferozmente a Maçonaria. E fazem-no sobretudo por não conseguirem controlar esta instituição de homens livres e fraternos, que escapa totalmente aos seus interesses mesquinhos ou eleitoralistas e às suas lógicas partidárias oportunistas.
As difamações, ódios e perseguições feitas aos maçons, por ditadores fascistas, comunistas e toda a espécie de radicais fanáticos, sejam eles políticos, religiosos ou outros, acontecem desde sempre, remontando ao tempo das monarquias absolutistas e regimes imperiais.
Assim como também da famigerada e tenebrosa Santa Inquisição, que prendia, torturava e matava quem contestasse ou se opusesse ao seu fanatismo e práticas religiosas repressivas.
A nossa resposta ao ódio e à calúnia será sempre a luz da sabedoria.
Mas ao longo de três séculos de existência, a Maçonaria não construiu impérios nem procurou minimamente dominar povos. Não organizou exércitos nem governou nações enquanto instituição. O seu verdadeiro legado encontra-se antes na formação ética de milhares de homens que, em diferentes épocas e circunstâncias, colocaram o seu conhecimento, a sua consciência, o seu sentido de solidariedade e de amor fraterno, ao serviço das sociedades em que estavam inseridos e de toda a Humanidade.
E continua hoje a defender os mesmos princípios que sempre inspiraram a sua ação centenária: a paz entre os povos, a liberdade de consciência, a igualdade de direitos e deveres, a fraternidade universal, a tolerância, o diálogo, a educação, a solidariedade e o aperfeiçoamento permanente do ser humano.
A grande obra da Maçonaria não se mede por monumentos, conquistas militares ou poder político. Mede-se pela influência discreta, mas profunda, que exerceu e exerce na construção de sociedades mais livres, mais justas, mais fraternas e mais humanas. É essa herança moral e cívica que continuará a constituir um património universal, aberto a todos os homens de boa vontade, independentemente da sua origem, crença ou condição social.
É por isso que a Maçonaria não pactua e repudia categoricamente qualquer desvio à legalidade, à transparência e aos princípios morais que devem reger todos os maçons.
A nossa resposta ao ódio e à calúnia será sempre a luz da sabedoria, a pedagogia, o trabalho discreto e o compromisso inabalável com o bem-comum. Continuaremos, como sempre fizemos, a trabalhar para o progresso da Humanidade e para o bem-estar dos cidadãos, de cabeça erguida, honrando o passado e construindo o futuro.
Todos os maçons de hoje, independentemente dos seus Ritos, Lojas, graus e qualidades, são herdeiros diretos desta História, deste legado filosófico, deste conjunto de práticas, valores e princípios éticos, que estão afinal na génese, na origem e própria razão de ser da Maçonaria Universal. Têm enquanto homens livres, o dever de os honrar, assim como a responsabilidade moral e histórica de os abraçar, cumprir, fazer cumprir e perpetuar nos tempos.
Assumindo totalmente esse desígnio, a nossa Obediência veio para ficar, para ajudar a construir um mundo melhor e somos Soberana — a nova Maçonaria Regular portuguesa.